sábado, 21 de abril de 2012

Gotye

Bom som vindo da Austrália. Raramente um cover fica ao nivel do original, mas neste caso iguala.

Rally Portugal

Quem nasceu em Fafe cresceu com o som dos motores a varrer os montes de Fafe. Retirar o rally do seu apogeu em Portugal, foi um duro golpe, mas felizmente, voltou para matar as saudades. Mochila às costas, monte acima madrugada dentro, horas de espera, toneladas de pó... mas com um enorme sorriso a rasgar a cara.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Uma frase

Viajar é como ler um livro, quem não viaja só lê a primeira página!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Fédon


Os meus primeiros passos na Filosofia. Depois de 2 anos no Secundário, agora leio estes autores por prazer e não por obrigação, e isso faz toda a diferença.
Demorei 15 dias a ler 170 páginas. É realmente muito tempo, para foi necessário, ler devagar, reler, pensar, voltar a reler. Demora mais vale a pena. Este livro relata um diálogo com Sócrates no dia em que morreu, após ter sido condenado à morte pelo povo de Atenas. É um diálogo acerca da imortalidade da alma. Quem gosta de sublinhar excertos de livros, corre o risco de acabar este cheio de sarrabiscos. É sinal que foi boa a leitura.

Saramago

Future Islands

Nice Weather for Ducks

Mais uma boa banda portuguesa.

World Press Photo 2011

Tom Waits by António Pinho Vargas

Crónica



A abundância do sorriso explicada a sisudos convicto

O sorriso fácil divide opiniões. Há os que gostam, há os que não gostam. Do que eu não gosto, enquanto regular praticante do sorriso, é que lhe chamem «fácil». Nos dias que correm, sorrir abundantemente por convicção será talvez das coisas mais difíceis de fazer. Não porque a vida vai mal (o que será bom argumento para a falta de sorriso, mas melhor argumento ainda para a absoluta necessidade de um), mas por causa do mau nome que lhe foi sendo imposto. Pouco o vamos encontrando pelas ruas, nas fotos de revistas, na televisão. Segundo os padrões contemporâneos, sorrir é pouco estiloso. Sorrir retira credibilidade e respeito. «Muito riso, pouco siso» continua a aplicar-se, apesar da aparente contradição na utilização de um dito antigo para justificar uma crença moderna. Quem sorri muito é olhado com desconfiança pelos defensores da sisudez institucional e instituída. Provavelmente porque intuem que existe um complexo mundo de significados para os diversos sorrisos dados, consoante o contexto em que ocorrem, cuja compreensão lhes escapa. O que ainda não perceberam é que utilizá-los de forma sábia é uma demonstração não apenas de simpatia mas de inteligência emocional também. Os sorrisos são tão eloquentes quanto as palavras e abreviam a comunicação, evitando mal-entendidos ou mesmo possíveis confrontos. O sorriso que é oferecido a alguém quando duas pessoas esbarram uma na outra na rua procura contrariar o impulso para o insulto. Não poderá nunca ser metido no mesmo saco daquele que é oferecido a alguém que nos segura a porta para entrarmos, ou que nos entrega as chaves que caíram no chão. São dois sorrisos completamente diferentes. O primeiro é utilizado para pedir desculpa, o segundo, para dizer «obrigado». Um sorriso sacado no momento certo faz toda a diferença. Quando tropeçamos ou fazemos algum disparate em público, é imperativo que saquemos prontamente do sorriso «vejam como eu consigo rir de mim próprio», que frustrará qualquer tentativa de humilhação pública intentada por terceiros. A crença moderna de que os sorridentes compulsivos serão assim a atirar para o choninhas e de que os carrancudos é que são pessoas de fibra pode revelar-se chata, porque precisando de pedir favores e de aborrecer alguém com uma conversa que não interessa para nada, escolhe-se o tipo que sorri para nós e não o tipo que está com cara de poucos amigos. Mas até isto pode ser transformado numa vantagem, pois assim andamos muito mais bem informados acerca de tudo o que nos rodeia, requisito indispensável ao sucesso das venturas próprias. Nada mais longe da verdade, portanto, achar-se que sorrir muito é sinal de subserviência. Andar por esta vida com um sorriso nos lábios é o derradeiro acto de provocação à tendência sorumbática generalizada. Diria mesmo que será um acto de rebelião muito maior do que professar o já muito batido ar blasé. Há lá coisa mais poderosa do que enfrentar as críticas ou os insultos com um belo sorriso de «a mim não me afectas tu» nos lábios? É claro que esta filosofia de vida sorridente terá de ser aplicada com a devida ponderação, pois a linha que separa o sorriso cheio e contagioso do sorrisinho amarelo e parvo é muito estreita, mas é tão estreita quanto a linha que separa o ar de seriedade do ar de enjoadinho das dúzias. O truque para se apresentar uma expressão facial que denote naturalidade e não impostura é, precisamente, utilizá-la quando nos apetece e não por imposição social. Já há tanta coisa que nos vai ficando vedada aos quereres, era o que faltava termos de sujeitar um bom sorriso rasgado à ditadura das faces.

Ana Bacalhau